Cais Oeste (Quai Ouest)

Cais Oeste

(Quai Ouest)

De Bernard-Marie Koltès

Tradução em português Carolina Gonzalez
Direção Cyril Desclés

CartazCais Oeste

Com : Carolina Gonzalez, Giovani Tozi, Janaína Suaudeau, Jefferson Matias, Marcelo Lazzaratto, Sandra Corveloni, Sérgio Pardal, Thiago Freitas
Assitente de direção : Bruno Stierli – Cenário : Carlos Calvo* – Iluminação : Guilherme Bonfanti – Som : Aline Meyer – Figurinos : Victoria Moliterno – Cenotécnico : Wanderley Wagner da Silva – Produção executiva : Rick Nagash – Produção : Anayan Moretto
* Carlos Calvo, vencedor do Prêmio Shell de Teatro de São Paulo 2020 : melhor cenografia
Estreia no 6/09/2019 no Sesc Santo Amaro – São Paulo / Création le 6 septembre 2019 au Sesc Santo Amaro – São Paulo /

Em uma noite mais escura que uma noite qualquer, um homem que perdeu tudo encontra-se, no seu carro de luxo, um Jaguar, com sua assistente na frente de um galpão abandonado para aí encontrar a morte e dar tudo o que ele tem, seu Rolex, suas abotoaduras de ouro, sua aliança e seu carro em troca de pedras para afundar no rio ; mas a sua presença cria desejos e invejas nos imigrantes sem documentos que vivem nesse no man’s land – símbolo do espaço que existe entre a vida e a morte. Quando se encontram, os que têm dinheiro e aqueles que não têm, esses dois mundos estão fadados a se destruírem. O cheiro do dinheiro atrai aqueles que não têm e as relações humanas se reduzem a um « deal » e todos os meios são bons para se ter o que não se possue. Tocante e misterioso como um bom romance policial americano, Cais Oeste apresenta uma visão extremamente concreta do mundo no qual vivemos. Koltès não defende nenhuma tese mas coloca a questão: aqueles que vivem sem domicílio, sem documento, sem trabalho, não estariam apenas sobrevivendo ? Existe uma vida antes da morte ?

A peça conta a história improvável de « personagens que não tinham nenhum motivo de se encontrarem, em nenhum lugar e nunca » e foi uma experiência que vivi, em várias ocasiões no Brasil. Mas principalmente, a fricção das diferenças sociais como coloca Koltès em Cais Oeste me faz pensar que existe um sentido em montar a peça no Brasil onde a sociedade é profundamente miscigenada e existem tensões sociais, diferenças enormes de nível de vida e cristalização do medo que influência as relações entre as pessoas : são por estas razões que esta peça pode ter uma ressonância especial neste país.

Cyril Desclés

Realização
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Artigo Jornal de Brasília

Raice Cabral, Jornal de Brasília, 13/02/19

Carlos RahalCais Oeste, de Bernard-Marie Koltès. Direção de Cyril Desclés. De sexta a domingo, até 13/10, no SESC Santo Amaro.

Koltès é o dramaturgo do apocalipse. Suas peças retratam um mundo sem saída: imigrantes sem futuro, homens intolerantes em confronto, incomunicabilidade, falta de empatia, miséria humana. O lado ruim da vida, contudo, ganha uma narrativa poética na palavra de Koltès; em meio à desumanização, há beleza. Em Cais Oeste, um homem rico chega a um armazém abandonado, acompanhado de uma mulher. A noite é anormalmente escura e ele procura o caminho do mar, através daquelas ruínas. Ele pretende se matar e está disposto a deixar tudo o que tem – seu Rolex, seu Jaguar, seus cartões de crédito – em troca de pedras que o levem para o fundo do mar. Encontra, naquele lugar, uma família de imigrantes miseráveis que não vivem, apenas vegetam. O encontro desses dois mundos é o que impressiona na peça. Uma boa metáfora para entendê-lo é o encontro da matéria com a antimatéria: elas se aniquilam mutuamente. A direção segura de Cyril Desclés conduz o espetáculo a um ótimo resultado: não se sai incólume da peça. No elenco, gostei muito de Sandra Corveloni, como a imigrante desterrada que sonha com seu país natal; de Marcelo Lazzaratto, o chefe da família que não nutre nenhum sentimento por sua mulher e seus filhos; e de Sérgio Pardal, no papel do suicida. Mas os demais componentes do elenco também cumprem bem seus papéis. O cenário de Carlos Calvo e a luz de Guilherme Bonfanti são essenciais para criar o clima opressivo do espetáculo. Se você quer entender a terra de ninguém em que se transformou o Brasil, assista Cais Oeste. E tente dormir depois…

Por Carlos Rahal (09/10/2019)

Para ver as fotos da Lenise Pinheiro no blog Cacilda da Folha, clique aqui

No blog Cacilda : « Espetáculos que inspiraram 2019 »

« Peça de dramaturgo francês traça paralelo entre efeitos da corrupção e pessoas à margem social » (Observatório do Teatro)

« Escrita em 1983, a peça potencializa em seus oito personagens um cenário de desigualdade e corrupção » (Aplauso Brasil)                                                                       

« Com direção do francês Cyril Desclés e Sandra Corveloni no elenco, espetáculo “Cais Oeste” estreia no Sesc Santo Amaro, em curtíssima temporada » (Nice que disse)

« Espetáculo Cais Oeste traz ao Sesc Santo Amaro fortes emoções e reflexões sociais » (Baresp)

Entrevista em francês :

Logo Bom dia BrésilCyril Desclés : « Quai Ouest de Koltès est une métaphore de la réalité brésilienne »

Culture, São Paulo, 11/10/2019, par Amélie Perraud-Boulard

2019 marque les 30 ans de la disparition du dramaturge français Bernard-Marie Koltès. C’est l’une de ses pièces, Quai Ouest (1983), que Cyril Desclés a décidé de mettre à l’honneur dans une mise en scène présentée jusqu’au 13 octobre au Sesc Santo Amaro, à São Paulo. Bom Dia Brésil s’est entretenu avec le metteur en scène français.

Comment est né le projet de cette mise en scène au Brésil ?

Je suis un spécialiste de Koltès et j’avais le sentiment que cette pièce avait beaucoup à voir avec la réalité brésilienne, le clivage avec les riches et les pauvres, sur le plan de la thématique. Je l’avais envoyée en avril 2015 à Carolina Gonzalez, que je connais depuis de nombreuses années, avec laquelle nous avons conçu le projet et qui a été la traductrice et l’une des actrices de la pièce. Elle a trouvé qu’elle était formidable, donc nous avons lancé le projet le mois suivant. Je suis venu en mars 2016 pour animer des ateliers aux Sesc Santos et au Teatro da Vertigem, à São Paulo, afin de sélectionner des acteurs. La production a mis du temps à se mettre en place comme c’est un projet lourd avec huit acteurs. En 2018, après les élections, je suis revenu et me suis dit qu’il fallait absolument que la pièce soit montée, car ça résonnait complètement avec la réalité brésilienne. Nous avons monté le spectacle en sept semaines de répétition, ce qui est assez exceptionnel au vu de la dimension de la pièce qui après coupes dans le texte, dure plus de 2 heures.

En plaçant en avant les thématiques des inégalités et de la corruption, cette pièce semble en effet plus d’actualité que jamais au Brésil…

Malheureusement elle colle encore plus aujourd’hui que lorsque le projet a été lancé. Mais comme effectivement je connais bien le Brésil depuis le premier voyage que j’y ai fait en 1995, je savais que la pièce était en phase avec ce pays. Je regrette que la situation soit telle qu’elle est actuellement au Brésil. Mais elle apparaît vraiment comme une métaphore de la situation actuelle du Brésil. Mais l’évolution de la situation brésilienne s’est montrée aussi en phase avec la pièce, c’est ça qui me semble donner une résonnance toute particulière à cette pièce maintenant au Brésil.

Quai ouest semble particulièrement complexe à mettre en scène. Etes-vous satisfait du résultat ?

Elle est en effet très complexe, car il y a une écriture qui n’est pas facile pour les acteurs, il y a énormément de texte. Je suis un insatisfait de nature, c’est aussi dans la nature de mon travail. Mais depuis deux semaines, j’ai une satisfaction particulière du niveau de jeu atteint par les acteurs. Donc oui, je suis satisfait du résultat !

En quoi Koltès est-il un dramaturge incontournable ?

C’est un des rares auteurs dans l’écriture dramatique contemporaine qui aime à raconter de grandes histoires, qui touchent un public. Et ce qui fait la force de son théâtre, c’est qu’il y a des personnages qui contrairement à d’autres écritures, ne sont pas résignés, qui se battent, qui cherchent à s’en sortir, même s’il y a des échecs.

Pourquoi venir voir cette pièce ?               

D’abord, il me semble que c’est vraiment important de la découvrir dans le contexte actuel. Il y a une difficulté à faire cette pièce, mais aussi à venir la voir. Il y a aussi une distribution exceptionnelle, avec notamment Sandra Corveloni, qui a reçu le prix d’interprétation féminine à Cannes en 2008, mais aussi Carolina Gonzalez, Giovani Tozi, Janaina Suaudeau, Jefferson Matias, Sérgio Pardal, Marcelo Lazzaratto et Thiago Freitas. Tous servent les propos de l’auteur. Et puis il y a aussi une esthétique extrêmement aboutie entre le décor de Carlos Calvo, les lumières de Guilherme Bonfanti et la bande-son de Aline Meyer. Ca donne un résultat vraiment abouti et exigeant, qui peut plaire au public.

Les représentations ont lieu au Sesc Santo Amaro. Les Sesc sont des agents culturels importants au Brésil, menacé par des coupes budgétaires…

Effectivement ce sont des agents culturels et sociaux inestimables et indispensables. Avec les coupes budgétaires faites autour des Sesc, qui sont des prétextes, on cherche à casser un outil social et culturel qui fonctionne bien et qui a même servi de modèle au Cent Quatre à Paris. C’est très dommageable que l’on s’attaque au dit Système S du Sesc, du Senac et autres. Je trouve que c’est une des mesures de destruction qui frappent le Brésil actuellement.

Propos recueillis par Amélie Perraud-Boulard

Jornal de Brasília 09:03:20

Raice Cabral, Jornal de Brasília, 09/03/20