Cais Oeste (Quai Ouest)

Cais Oeste

(Quai Ouest)

De Bernard-Marie Koltès

Traduction en portugais brésilien / Tradução em português Carolina Gonzalez
Mise en scène / Direção Cyril Desclés

Projet de création 2019 au Brésil / Projeto de criação 2019 no Brasil

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Em uma noite mais escura que uma noite qualquer, um homem que perdeu tudo encontra-se, no seu carro de luxo, um Jaguar, com sua assistente na frente de um galpão abandonado para aí encontrar a morte e dar tudo o que ele tem, seu Rolex, suas abotoaduras de ouro, sua aliança e seu carro em troca de pedras para afundar no rio ; mas a sua presença cria desejos e invejas nos imigrantes sem documentos que vivem nesse no man’s land – símbolo do espaço que existe entre a vida e a morte. Quando se encontram, os que têm dinheiro e aqueles que não têm, esses dois mundos estão fadados a se destruírem. O cheiro do dinheiro atrai aqueles que não têm e as relações humanas se reduzem a um « deal » e todos os meios são bons para se ter o que não se possue. Tocante e misterioso como um bom romance policial americano, Cais Oeste apresenta uma visão extremamente concreta do mundo no qual vivemos. Koltès não defende nenhuma tese mas coloca a questão: aqueles que vivem sem domicílio, sem documento, sem trabalho, não estariam apenas sobrevivendo ? Existe uma vida antes da morte ?

A peça conta a história improvável de « personagens que não tinham nenhum motivo de se encontrarem, em nenhum lugar e nunca » e foi uma experiência que vivi, em várias ocasiões no Brasil. Mas principalmente, a fricção das diferenças sociais como coloca Koltès em Cais Oeste me faz pensar que existe um sentido em montar a peça no Brasil onde a sociedade é profundamente miscigenada e existem tensões sociais, diferenças enormes de nível de vida e cristalização do medo que influência as relações entre as pessoas : são por estas razões que esta peça pode ter uma ressonância especial neste país.

Cyril Desclés

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Jornal de Barsília, 13/02/19